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Resposta do Provedor de Justiça Europeu ao seguimento dado pela Comissão Europeia
Correspondência - Data Sexta-Feira | 09 junho 2023
Caso OI/1/2021/KR - Aberto em Quarta-Feira | 03 fevereiro 2021 - Decisão de Segunda-Feira | 16 maio 2022 - Instituição em causa Comissão Europeia ( Não se justificam inquéritos adicionais ) - País França
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Ursula von der Leyen presidente Comissão Europeia |
Senhor Presidente,
Muito agradeço a resposta de seguimento à minha decisão sobre o inquérito em epígrafe.
As instituições da UE têm, em geral, elevados padrões de administração, ética e transparência, em comparação com outros intervenientes a nível mundial e mesmo com muitos Estados-Membros da UE. Para manter estes elevados padrões, é importante demonstrar que os funcionários da UE estão empenhados a longo prazo no bem público e que os empregos nas instituições da UE não são vistos como um trampolim para cargos mais lucrativos no setor privado.
A questão da «porta giratória» entre a administração da UE e o setor privado é uma prioridade para o meu gabinete. Se as mudanças não forem decididas de forma adequada, corre-se o risco de comprometer o trabalho da administração da UE, sujeitando-a a influências indevidas e acarretando um grave risco para a reputação da UE no seu conjunto.
Com base no meu inquérito, concluí que a Comissão deveria aplicar uma abordagem mais sólida às atividades pós-serviço problemáticas. A Comissão respondeu que, nomeadamente no que diz respeito aos antigos quadros superiores, impõe:
- restrições mais severas em termos de duração, e/ou
- novos tipos de restrições (por exemplo, proibição de aceitar como clientes, partes interessadas do serviço do antigo membro do pessoal).
A Comissão indicou igualmente que, quando necessário, proíbe totalmente as atividades previstas, por exemplo, pedidos de atividades que incluam:
- exercer pressão junto das instituições da UE sobre questões pelas quais antigos altos funcionários tenham sido responsáveis nos últimos três anos de serviço;
- trabalhar num dossiê ou projeto específico (por exemplo, uma subvenção ou uma proposta), no qual o antigo membro do pessoal trabalhou durante o serviço.
A Comissão adoptou igualmente uma abordagem mais restritiva relativamente às actividades de:
membros do pessoal em licença sem vencimento. Como tal, a Comissão já não aprova atividades que visem representar interesses privados contra a Comissão (por exemplo, em escritórios de advogados, consultores ou departamentos de assuntos públicos de organizações).
Além disso, apresentei três sugestões de melhoria para reforçar a responsabilização e a transparência da abordagem da Comissão. A Comissão respondeu que tomará as seguintes medidas.
A fim de reforçar a responsabilização dos antigos membros do pessoal no que diz respeito ao cumprimento das restrições impostas, a Comissão indicou que, nos casos que dão origem a riscos para a reputação, pode impor uma condição de apresentação periódica de relatórios sobre o cumprimento das restrições.
A fim de reforçar a transparência das decisões tomadas em aplicação do artigo 16.o, n.o 3, do Estatuto dos Funcionários, a Comissão:
- compromete-se a publicar o seu relatório anual sobre casos de «portas giratórias» de antigos quadros superiores no primeiro semestre do ano, a fim de permitir o escrutínio público.
- considera que a divulgação de determinados elementos das autorizações de atividades pós-serviço dos seus antigos quadros superiores, por exemplo após a receção de perguntas públicas sobre a Comissão, garantiu a proteção adequada do interesse público.
Congratulo-me com todas estas melhorias e compromissos.
Também sugeri que a Comissão, no mínimo, exigisse que os antigos membros do pessoal apresentassem provas de que as restrições impostas eram partilhadas com o novo empregador. A Comissão não se comprometeu a respeitar esta norma mínima. Embora a Comissão possa solicitar explicitamente aos (antigos) membros do pessoal que partilhem, se necessário, as restrições impostas com um novo empregador e/ou clientes, não solicita provas desse facto. Mantenho a opinião de que a Comissão deve ponderar fazê-lo.
O meu gabinete continuará a acompanhar a prática da Comissão neste importante tema.
Agradeço a V. Ex.a e aos seus serviços a excelente cooperação durante este inquérito.
Com os meus melhores cumprimentos,
Emily O'Reilly Provedora
de Justiça Europeia
Estrasburgo, 6/12/2022